Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

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Psicanálise - Esconderijos da alma

Livro desvenda os últimos passos de Sigmund Freud antes da morte por eutanásia Depois de um câncer no palato, que durou 16 anos e o obrigou a passar por 32 cirurgias, Sigmund Freud chamou o amigo e médico de cabeceira, Max Schur. Lembrou-lhe de um trato feito 10 anos antes. “Quando tudo estiver sendo apenas uma tortura, ajude-me.” Em 21 de setembro de 1939, o médico aplicou-lhe uma dose letal de morfina – e Freud adormeceu para sempre. Em dois anos, o mundo vai celebrar sete décadas sem Sigmund Freud (1939 -2009), o pai da psicanálise. Mal sabia ele que sua proposta inicial de curar doenças mentais se transformaria, nestes 70 anos, numa alternativa humanizante, que possibilita às pessoas vasculharem os recônditos da alma, sem o estigma de doentes.Antecipando as comemorações, o psicanalista Lúcio Marzagão lançou, nesta terça-feira, no Conservatório de Música da UFMG, o livro Freud: sua longa viagem morte adentro, pela Editora Ophicina de Arte & Prosa. Foram dois anos de pesquisas, não só sobre Freud, como também de personagens da história da psicanálise, de amigos e discípulos, como a princesa Marie Bonaparte, a própria noiva, que depois seria sua mulher, Marta Freud, e também a filha Ana, além de Max Schur, Gustav Jung e Albert Einstein, entre outros. Até junho do ano passado, a pesquisa foi realizada em Belo Horizonte com as biografias disponíveis. Em julho, com a aprovação da UFMG, onde Lúcio é professor do curso de especialização em teoria psicanalítica, ele viajou para Londres, para fazer pesquisas na Casa de Freud, hoje transformada em museu. Em 15 dias, teve acesso a documentos que não são disponíveis ao visitante comum e pôde concluir o livro, um monólogo lastreado em fatos reais, relacionados à formação da comunidade psicanalítica, às questões políticas da Europa na época, à 2ª Guerra Mundial e aos problemas vividos pelos judeus. Em meio a esse cenário de fatos reais, Lúcio escreve ficção. Na orelha do livro, o psicanalista Renato Mezan, da PUC-SP, diz: “Em sua originalíssima recriação dos últimos meses do grande homem, Lúcio Marzagão capta admiravelmente esta faceta essencial do caráter de Freud. Biscoito fino, diria Oswald de Andrade – a ser degustado como doce de leite e pão de queijo”. Nessa longa viagem morte adentro, o aspecto que mais chamou atenção de Lúcio é “a mudança clara dos primeiros posicionamentos de Freud em relação à teoria psicanalítica. No início do movimento, a inserção da psicanálise era claramente no campo médico, mas, já no fim da vida, ele tinha um interesse muito maior pela literatura”.Durante um certo tempo, a psicanálise tentou atender as expectativas da ciência oficial, no sentido mecanicista e positivista. “Hoje, felizmente, essa postura está superada. Em suas últimas entrevistas, nos contatos com os amigos, nas conversas com H.G.Weels e Virginia Wolf, muitas das citações de Freud vinham de Shakespeare. Ele percebe, então, que a psicanálise não é uma atividade médica.” Mestre em filosofia, psicanalista há 30 anos, Lúcio Marzagão pode afirmar que a teoria psicanalítica é resultado da observação de Freud sobre si próprio. “Enganam-se os que pensam que os conceitos da psicanálise foram resultados de um olhar de Freud para as pessoas. Ao contrário: por intermédio de conversas, da análise dos próprios sonhos, das dificuldades, conflitos, reações e do seu sofrimento diante da morte, ele foi construindo os conceitos hoje conhecidos como psicanálise, uma ciência do subjetivo”, explica.CoragemO livro, cujo título é uma paráfrase da célebre peça Longa jornada noite adentro, do dramaturgo Eugene O’Neill, refaz os últimos momentos de um homem estóico por natureza, mas que dá exemplos de força e coragem. “Ele sempre viveu intensamente suas descobertas, a família, as amizades. Amava os livros e sua coleção de antigüidades. Viveu 83 anos e até os últimos minutos procurou manter plena consciência daquilo que o rodeava.”É um livro que tem a intenção de ser informativo para pessoas que estão interessadas em conhecer a figura humana de Freud. Lúcio Marzagão conta ainda como o nazismo perseguiu Freud, não só porque ele era judeu, mas porque propunha uma maneira de ver a vida extremamente emancipatória e libertária. “Nenhum regime totalitário tolera a psicanálise. Aliás, existem duas profissões de que os ditadores têm pavor: a psicanálise e o jornalismo, porque falam coisas que não devem e não podem ser ditas.” E dá um exemplo do que ocorreu com Freud durante o nazismo. “Em 1933, os livros, não só de Freud, como também dos judeus, foram queimados em praça pública, em Berlim. E ele fez uma ironia dizendo que poderia estar ocorrendo uma grande evolução na história da humanidade, porque na Idade Média eles queimavam as pessoas, naquele momento só os livros.”
Déa Januzzi - Estado de Minas -

Pensando em tudo

SE UM DIA TIVER QUE ESCOLHER ENTRE O MUNDO E O AMOR, LEMBRE-SE: SE ESCOLHER O MUNDO, FICARÁ SEM O AMOR, MAS SE ESCOLHER O AMOR, COM ELE CONQUISTARÁ O MUNDO .ALBERT EINSTEIN